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  • Ilana Majerowicz

Por que evitamos a Celebração e o que isso nos diz sobre o que estamos vivendo com a pandemia?



Celebrar é olhar pro passado pra poder liberar o futuro

Na metodologia Dragon Dreaming, os projetos se desenvolvem em 4 etapas: SONHAR, PLANEJAR, REALIZAR e CELEBRAR. As etapas de planejamento e realização já são bem conhecidas para nós, porém o celebrar e sonhar foram esquecidos na nossa sociedade ocidental contemporânea e costumamos nos bloquear nesses 2 movimentos. Quase sempre evitamos celebrar e por isso não conseguimos abrir espaço para o sonhar. Assim, nos esquecemos da natureza cíclica da vida e nos perdemos na ilusão de uma vida linear.


O que bloqueia o CELEBRAR no ciclo dos projetos (e da vida), são 2 reações recorrentes: CRISE ou IGNORAR


Na CRISE há o rompimento, a destruição de tudo foi feito antes, uma necessidade de fugir o mais rápido possível da situação. Encaramos o pessimismo, a fadiga, a culpabilização de outros pelos problemas, a vitimização, uma retirada de si de dentro da situação, mergulhamos na tristeza e estagnamos ali.


Na IGNORÂNCIA também nos retiramos, mas para manter as coisas como estão: mergulhamos na distração do entretenimento, evitamos olhar para os fatos, abraçamos a estupidez e evitamos a transparência para não enxergar os resultados de nossas ações. Não conseguimos nos vulnerabilizar.


Nas duas situações o que acontece é que NÃO APRENDEMOS. Perdemos a chance que o processo vivido nos deu de enxergar os dragões que estavam prontos para serem reconhecidos, integrados e liberar nossa potência. Perdemos a capacidade de sair diferente do processo e adquirir sabedoria. Escolhemos perder o que poderia emergir e ficamos com o que poderíamos perder.

Nesse momento de Isolamento, estamos sendo convidados a entrar em um período de celebração. No Dragon Dreaming, a Celebração é um processo de introversão, muito diferente do que nossa sociedade associou ao celebrar: festa. Com as pessoas dentro de casa, estamos tendo a oportunidade de se recolher e viver a celebração, mas muitos continuam evitando esse processo fazendo planejamentos pra um futuro incerto (desconectado do sonho da Terra) ou ficando na hiperprodutividade do homeoffice.


Se ficarmos nessa não aprenderemos nada com essa pandemia, cairemos na ignorância de voltar ao NORMAL (que ignora o que é realmente importante pra vida) ou nos restará afundar na crise que o poderá gerar uma catástrofe.


Viver uma celebração é entrar num processo de reconhecimento do que foi bom e do que foi não foi e, em geral, não estamos emocionalmente preparados para lidar com a parte que julgamos "ruim": as perdas, frustrações, erros, traumas, conflitos e a impermanência.


Assumir parte "ruim", na nossa sociedade é encarado como: FRACASSO

E essa crença que nos separa entre perdedores e vencedores têm na verdade criado um imenso PERDE-PERDE sistêmico. Não importa o grau de privilégio que você tenha nessa sociedade atual, estamos todos perdendo o potencial humano e a experiência criativa da vida.


Olhar genuinamente para o que passou, nos exige responsabilidade e maturidade emocional.

- Responsabilidade para assumir os seus erros, identificar suas sombras, pegá-las pra si e integrá-las. Sem punição e sem julgamentos.

- Maturidade emocional para acessar as dores emocionais que as relações nos despertam.

- Assumir que talvez o planejamento tenha sido mal executado, ou que o projeto não partiu do seu sonho. Talvez as circunstâncias tenham mudado ao logo do processo (como estamos vivendo agora) e o que você planejou, não vai servir mais.

Isso implica MUDAR. E mudar, para nossa cultura ocidental, significa risco.


O que percebo nesse processo de não não viver o ciclo da celebração de forma saudável e genuína é que perdemos a capacidade de exercer os 3 princípios do Dragon Dreaming: Crescimento Pessoal, Fortalecimento do senso de Comunidade e o Serviço à Terra.


Estamos desconectados de nós mesmos, da nossa essência, estamos cada vez mais separados e polarizados, individualistas e cada vez mais destruindo a terra com nosso modo de viver.


Mas CELEBRAR também é reconhecer o que foi bom! Reconhecer que tudo foi necessário para que chegássemos aqui. É reconhecer nossas raízes, nossos ancestrais, nossa história. Reconhecer nossas habilidades adquiridas, nossos dons e nossas conquistas. Reconhecer todas as pessoas que estiveram envolvidas no projeto, reconhecer que existem milhares de pessoas por trás de cada conquista. Por trás da comida que você cozinha, tem o agricultor, quem transportou, tem o sol, tem as plantas, tem os bichos que ajudam a fertilizar o solo e por aí vai...

E quando acessamos a celebração genuína é possível acessar o estado verdadeiro de gratidão.

Resgatar a CELEBRAÇÃO nos dá a possibilidade de RESTAURAR o fluxo natural da vida!

Esse texto tem como inspiração conteúdos colhidos no Curso Superando Bloqueios nos projetos em 2016 com John Croft e Lizandra Barbutto e foi tema do encontro #2 do Complexo de 01/04/2020.

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